“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, A quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (1:1-2). Deus falou no tempo do Antigo Testamento sobre a futura redenção através de seus profetas, mas no Novo Testamento ele falou por meio de Jesus, o Filho de Deus.
Em seu evangelho, João descreve estes eventos históricos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (Jo 1:1-5). Esta escritura ensina que Jesus Cristo tornou possível o plano de redenção de Deus. Como já vimos, Cristo era o Verbo (a Palavra) que se fez carne e trouxe vida através de sua morte e ressurreição. O Filho revelou “o mistério que desde tempos eternos esteve oculto, Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé” (Rm 16:25-26).
Este mistério é a nova aliança que Cristo instituiu tal como explicou na Última Ceia, quando tomou o cálice e o deu a seus discípulos dizendo: “Porque isto é o meu sangue; o sangue do novo testamento [aliança], que é derramado por muitos, para remissão [perdão] dos pecados” (Mt 26:28). O escritor de Hebreus citou o Antigo Testamento para mostrar que isso fora prometido há muito antes — “estabelecerei uma nova aliança” (Hb 8:8) — e escreveu que Cristo “é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” (9:15).
Hoje não conhecemos nenhum dos escritos de Jesus Cristo. A única evidência que temos que Jesus escreveu alguma coisa se encontra na história em João 8:1-11, onde ele escreveu com o dedo algumas palavras no chão. Já que isso é verdade, como pode a sua Palavra ser identificada com o cânon do Novo Testamento e os seus vinte e sete livros?[8] A princípio, pode parecer que tentar fazer uma relação entre os acontecimentos históricos e o cânon do Novo Testamento é uma questão a posteriori. A primeira lista dos 27 sete livros canonizados do Novo Testamento não foi feita até 367 d.C., quando o bispo Atanásio de Alexandria os listou na sua carta anual de Páscoa para a igreja. Só no quinto século foi que as disputas sobre quais livros pertenciam ao cânon cessaram em geral.
Alguns crêem que a data tardia para esta lista mostra que a canonização do Novo Testamento aconteceu depois dos acontecimentos históricos sobre a redenção e portanto deve ser considerado como uma parte da história da igreja. Há, contudo, outro ponto a ser considerado: O que torna os vinte sete livros do Novo Testamento a Palavra de Deus revelada ao homem? A resposta a isto esta na relação destes livros com Jesus Cristo e a atitude da igreja primitiva para com tais livros.
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